quinta-feira, agosto 18, 2005

Poças de água



Há quem goste de comparar a vida a uma travessia no mar alto: "Umas vezes calma, outras vezes turbulenta e revolta, vogamos ao sabor da maré, orientando a nossa proa para um rumo incerto, procurando ultrapassar as grandes tempestades que nos tentam derrubar. No fundo, no fundo, somos uns heróis, lutando contra a vida que, traiçoeira, espreita a cada esquina à espera da melhor oportunidade para nos fazer cair. (...)"

Por mais que me agrade a ideia de ser a grande heroína de toda esta peça, o que é facto é que, infeliz ou felizmente, me parece que esta visão está algo longe de ser fértil. Se realmente quisesse meter água neste assunto, diria que a minha vida é, não um mar imenso, mas uma simples poça de água. Como fu
i dotada de uma boa dose de orgulho, insisto em acreditar que é um mar terrível e sem fim, e que cada rabanada de vento é uma grande tempestade... quando o que é facto é que, quando eu me distraio e paro de esbracejar freneticamente, toda a água acalma e eu olho à minha volta e percebo que durante todo aquele tempo era eu que estava ocupada a criar grandes ondas em vez de me dispor a analisar a travessia e decidir para onde ir. É claro que olhar para a minha"pocinha" e ver o quão pequena é custa (o orgulho é uma coisa tramada...) e por isso tantas vezes volto a esbracejar na esperança de que se torne maior e assim eu possa justificar a minha inércia. Mas contam as vezes em que vou lutando contra ela e remo com vontade para terra firme, procurando não ceder ao medo da responsabilidade de segurar o leme da minhas decisões. Devagar se vai ao longe, o que interessa é continuar. Como dizia o velho provérbio chinês: “Não receie crescer devagar, tenha apenas medo de permanecer imóvel".

Para os incansáveis remadores de outras poças de água: votos de uma excelente travessia!