segunda-feira, dezembro 25, 2006



E há tempos em que não apetece falar, nem escrever, nem pensar. E tempos em que sabe bem rir para o mundo todo como se não houvesse amanhã, e tempos em que sabe bem estar sisuda, meditativa, séria, pensativa. E tempos em que estudo, e tempos em que me perco em devaneios... E sempre tu, em todos estes tempos. E às vezes apetece abraçar-te e falar a tarde toda sobre coisas sem nexo. E contar-te sobre os disparates do meu dia, e sussurrar-te a beleza de um rapaz que me passou pelo caminho. E outras vezes dou comigo a falar-te com um brilho nos olhos da paixão que sinto pelas pessoas que me rodeiam. E do meu gosto por pãezinhos com atum, por cappuccinos com sabor a canela e boas conversas. E daquele rapaz que não me sai da cabeça. E maravilho-me com esta amizade estranha, que fala de um Amor que não é amor, de um Amor maior que tu e eu, maior que tudo isto que falo, de tudo isto que hoje é e amanhã talvez não seja, mas que importa?...
E não sei bem como dizer-te como tudo isto é valioso, como é bom este conforto quentinho das nossas conversas, este Amor-amizade que me embala quando cedo ao apetite de ser frágil e vulnerável. E apesar de por vezes te olhar e sentir que sabes tudo isto (sabes?...), queria deixar este texto para ti.

Para tantos amigos.

sexta-feira, novembro 10, 2006



O mundo está cheio de surpresas que nos põem a caminho. Como aquela criança que olhava fascinada para o pai. Este dizia-lhe: "Vês aquela coisa grande, ali, alta, é uma árvore. E aqui - enterrava uma sementinha - vai nascer uma como aquela." A criança abria a boca de espanto e sorria. Acreditou. Não é que tivesse lógica, mas era o pai que dizia.


Vasco Pinto de Magalhães, s. j.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Arte

(Art by Quino)

quarta-feira, julho 05, 2006

Notícias (Sur)reais


Da National Geographic de Julho de 2006:

"Estima-se que mais de um quarto dos acidentes rodoviários da Namíbia envolvam colisões com burros, uma vez que é frequente os animais de pêlo escuro domirem à noite no pavimento quente. Para evitar os acidentes, o grupo Bem-Estar dos Burros está a trabalhar com o governo para equipar os burros com reflectores nas orelhas. Até à data, a organização ambientalista já marcou cerca de cinco centenas de animais."

É caso para dizer: "cada burro, sua mania"...

segunda-feira, junho 26, 2006

segunda-feira, junho 12, 2006

Flashs



Quem me dera poder recordar todos

os sorrisos,

todas as expressões,

toda a riqueza e profundidade
dos olhares.

Há tanto de insondável em cada pessoa, tanto que me escapa nos passeios distraídos de conversas amenas... fracções de segundo que escrevem poesia nas entrelinhas, infinitésimos de extraordinária beleza, sabores e aromas que parece que me escapam por entre as fibras nervosas de um qualquer lobo cerebral...


Flashs

de memória.


sábado, junho 10, 2006

GPS - Guia de Pequenas Sensações

Este texto foi escrito para a edição de Março do jornal do Centro Universitário Manuel da Nóbrega (CUMN), o CUMNicação. O cantinho em que foi escrito chama-se "GPS - Guia de Pequenas Sensações" - que utilizei também como título deste post. Enquanto aguardo algum tempo para escrever algo mais recente, aqui fica um momento de introspecção num desses cantinhos perdidos no meio da cidade.


Sentada no mármore branco, olho o horizonte que entardece. A luz vai desaparecendo lá ao longe em borrões alaranjados, mas aqui o mármore branco ri do escuro que o ameaça. O frio começa a cristalizar nos socalcos de relva verde, e os meus olhos sobem cada degrau novamente como que incitando o corpo ao movimento. Levanto-me enfim e o meu pensamento volta a cair sobre o Palácio que encima este jardim tão silencioso e austero. Respiro fundo o ar - de tão frio quase parece puro - e movo-me em busca de uma paisagem encoberta, que ao fim de três lanços de escadas alcanço. A beleza do contraste entre a baixa de Coimbra e a alta da cidade provocam-me uma sensação de alma de artista aprisionada… quem disse que a poesia estava ao alcance de todos?

Um suspiro de resignação devolve-me ao local, agora já com algumas sombras a indicar que se faz tarde… pena que o tempo não esteja à nossa mercê. Com um sorriso despeço-me dos socalcos mudos, naquela serenidade carinhosa de quem sabe que há-de voltar.

Jardim da Cerca de S. Bernardo, Pátio da Inquisição.
Coimbra, 15 de Novembro de 2005

sábado, março 18, 2006

Beleza


Não posso deixar de me maravilhar com a beleza de uma obra de arte. Assim como não posso deixar de associar a beleza a tempo. Tempo gasto, tempo dispendido, tempo para trabalhar em algo até tomar forma, tempo para perceber que sentido dar às coisas.
As relações parecem-se muito com obras de arte: belas, irreverentes e imprevisíveis, desenrolam-se nos meandros de cada personalidade envolvida e são espelho de expectativas, desejos e formas de vida de quem as empreende. E levam tempo a ser construídas.
Curioso como ninguém questiona o tempo que é necessário para se criar uma obra de arte. Tal como ninguém questiona a sua imprevisibilidade. Mais curioso ainda: quanto mais original, destemida e arrojada é uma obra de arte, quanto menos estiver sujeita a convenções e trouxer novidade, mais atenção e apreço capta por parte dos seus apreciadores.
Agora pergunto-me: porque não é também assim com as relações? Porque é que tem de ser sempre tudo inscrito nos mesmos códigos, nas mesmas condutas? Porque é que se espera que todo o sentido de uma relação surja num primeiro olhar, numa primeira conversa? Porque é que se insiste em afirmar que todo o rumo de uma relação se vê numa primeira impressão? E porque é que se baseia tudo em actos irreflectidos e precipitados?
Não há quem olhe para uma obra de arte e não se maravilhe com a minúcia de cada pormenor, a perfeição de cada traço. Não há quem não saboreie cada sentimento, cada ideia, cada pedaço de alma que é espelhado em cada gesto. E não acredito que haja quem pense que aquele pedaço de genialidade foi feito numa semana ou num mês.
Saber esperar é, mais do que uma virtude, um sinal de sabedoria. Saber esperar, mais do que ficar na expectativa dos meus desejos, é trabalhar com atenção e amor, dando espaço à criação para tomar o seu próprio rumo.

(Escultura: 'Psiquê e Cupido', de Canova)

domingo, fevereiro 12, 2006

Suspiro



Quem me dera que estudar fosse sempre assim tão calmo e agradável...

domingo, fevereiro 05, 2006



Há pessoas que gostam de olhar para as velhas fotografias e lamentar o que foram, ou então ficarem com pena de não terem ficado eternamente crianças, eternamente "felizes".
Eu gosto de olhar para as minhas fotografias e sorrir ao meu passado. A felicidade não é um estado de alegria passageira, é a consciência de que tudo o que fui trouxe tudo o que sou, que é muito, mas pode ser ainda mais. A felicidade é crescer, e crescer é olhar para hoje para ver o que posso ser amanhã e pôr mãos à obra... ser feliz é ser um projecto incansavelmente inacabado.

domingo, janeiro 01, 2006

Ano Novo




"Há uma imensa sabedoria em viver cada dia como se fosse o primeiro e há uma imensa felicidade em viver cada dia como se fosse o último. As duas coisas são possíveis ao mesmo tempo."


Vasco Pinto de Magalhães, in Não há soluções há Caminhos


Um Bom Ano Novo, com um grande beijinho :)