
Será o erro uma dimensão incontornável do ser humano? E se é assim tão determinístico,
para que acontece? Que dimensão (diria, quase irónica) nos permite que sonhemos alto, que ultrapassemos as nossas limitações para logo a seguir nos depararmos com ainda mais limitações, com a nossa pequenez, as nossas fraquezas?...
De volta aos primórdios da palavra, errar provém do latim "
errare", que significa "afastar-se do caminho verdadeiro, da Verdade". Errar é escolher outro caminho que não o essencial, desviar-se do que se é, dar passos que não vão ao encontro da realização pessoal plena. Vistas as coisas desta forma, está justificado o porquê de algumas pessoas se martirizarem com os seus erros ao ponto de se autodesprezarem. Ou então não. Porque se é verdade que afastar-se do caminho essencial é, no fundo, afastar-se de si próprio, não será ainda mais verdade que ao nos afastarmos daquilo que somos estamos, pela negação, a distinguir com clareza o que realmente somos do que na verdade não é parte do nosso ser?
Assim sendo, teria lógica a corrente prática de esquecer o erro e seguir em frente. Mas esquecer um erro significa apagar um caminho mal trilhado do nosso mapa de vida, o que corresponde a diminuir o número de possibilidades de orientação. O que se espera é que à medida que avançamos vamos preenchendo o mapa com novas possibilidades, e que, pelos caminhos que trilhámos anteriormente, sejamos capazes de evitar alguns caminhos menos frutíferos para a nossa jornada sem os trilharmos. Isto só é possível se de cada vez que errarmos sejamos capazes de aceitar activamente o erro, ou seja, dele retirarmos um melhor conhecimento das nossas limitações (e, consequentemente, das nossas capacidades), para que, posteriormente, possamos extrair o máximo de nós próprios, de forma realista e verdadeira.
Quanto mais consciente dos meus limites, mais consciente das minhas possibilidades e mais capaz de aceitar que não sei tudo sobre mim próprio, que estou numa jornada de auto-conhecimento, e por isso sou passível de falhar onde menos esperava. É aqui que entra a dimensão do
perdão, onde cada um é chamado a aceitar-se e a fazer sair de si o que de melhor tem para dar. Sem ilusões ou desilusões (que é como quem diz, sem imagens, positivas ou negativas, criadas de mim para mim), vou trilhando o meu caminho pessoal em direcção à minha
essência.
De Deus e para Deus. E com tantas oportunidades de sermos melhores, errar só pode mesmo ser divino
.