terça-feira, dezembro 30, 2008

Então aqui vai uma coisa que tenho andado a pensar...

Aqui há um ano ou dois anos existia no CUMN um rapaz que, tal como eu na altura, passava muito tempo por lá. Ora, a natureza grupal e faladora da pessoa humana não simpatizava com este jovem: dizia-o beato, triste, incrivelmente só e isolado. E eu, como tantas outras pessoas, não me aproximava muito dele. Entretanto o tempo passou e este menino tornou-se uma pessoa alegre e bem-disposta, e o mundo passou a sentir-se incrivelmente atraído por ele. E a natureza faladora deixou de o chamar triste e só (o beato ficou) e passou a falar dele como alegre e passou a querer estar com ele. E eu também. E com a descrição que fiz poderia estar a falar de duas pessoas diferentes, mas não: há dois anos era e agora é exactamente o mesmo rapaz. E à medida que nestes dias eu observava esta evidência, surgiu-me a pergunta:

Quantas pessoas maravilhosas ando eu a perder por me deixar levar pelo espírito de carneirada que só acolhe as pessoas que dão ar de estar bem consigo próprias?

Companheiro de partilhas procura-se

Apesar de este blog ter nascido a partir de mim para o mundo (é, vocês, queridos meia dúzia optimista de leitores, são o mundo para mim? :D), sinto já há muito a falta desse colorido maravilhoso que é ter outra pessoa amiga a escrever e a partilhar comigo. Por isso, está aberto o convite a quem quiser fazer parte deste blog ou quiser criar um novo comigo! Alguém se atreve? :)

Estou de volta!!! Parece que afinal ainda ficou qualquer coisita por partilhar... x)

quarta-feira, outubro 08, 2008

sexta-feira, maio 09, 2008

E quantas vezes deixo eu de reconhecer as coisas novas que estão mesmo à frente do meu nariz só porque estou alheada na minha convicção de que já as conheço?

domingo, abril 27, 2008

sexta-feira, abril 25, 2008

Valor, contexto e arte

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Um sujeito entra na estação do metro, vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, na hora de ponta matinal. Durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos traunseuntes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares. A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro,copo de café na mão, telemóvel no ouvido, crachá a balançar no pescoço,indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor,contexto e arte. A conclusão: estamos habituados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de marca.

terça-feira, abril 22, 2008

Deambulações


"Se no decorrer da vida só conhecemos uma pequena parte de nós próprios, para onde vai todo o resto?"

in Contos de Hoffman

terça-feira, março 18, 2008

Não há pior angústia do que olhar-se impotente face ao sofrimento de outra pessoa.

sábado, fevereiro 23, 2008

E no meio de tanto estudo, às vezes é complicado saber porque raio ando eu para aqui a existir. Já lá dizia o outro que o sentido da existência é uma chávena de chá?... Não digo que haja um sentido global, único, mas sim sentidos que surgem (que construímos) que nos fazem integrar melhor as coisas... o problema é que o único sentido que eu neste momento estou a ver é o que aponta para o meu livro de terapêutica. Será que se eu me esquecer tempo suficiente do que sou posso vir a acordar e não me reconhecer?

Em homenagem a uma Pessoa :)


Leve, breve, suave,
Um canto de ave
Sobe no ar com que principia
O dia.
Escuto, e passou...
Parece que foi só porque escutei
Que parou.

Nunca, nunca, em nada,
Raie a madrugada,
Ou 'splenda o dia, ou doire no declive,
Tive
Prazer a durar
Mais do que o nada, a perda, antes de eu o ir
Gozar.

Fernando Pessoa

sábado, janeiro 26, 2008

Lugares comuns com piada


Lugares comuns


O Beijo
Óleo sobre tela de Gustav Klimt

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Alguém sábio qb ;) disse uma vez que o template de um blog influencia aquilo que se escreve nele: se o template é branco, limpo, como uma folha de papel imaculada, as expectativas que ponho naquilo que escrevo serão maiores, por receio de os textos não serem suficientemente bons para aquele pedaço magnífico de papel. Porém, se tiver à minha frente uma simples folha de rascunho, a minha escrita fluirá livremente, uma vez que no final posso simplesmente amarrotá-la e deitá-la para o lixo se não gostar do que escrevi.
Creio que o meu antigo template era uma folha de papel muito caro. E os textos que nele escrevia eram trabalhados até me parecerem "ficar bem na moldura". E houve uma altura em que nada do que escrevia me parecia suficientemente bom para ser publicado. No entretanto fui dar um passeio, olhei para a paisagem, caminhei e respirei fundo e quando voltei surgiu esta nova forma do meu velho blog: o mesmo blog, só que sem a aspiração, inútil, porque inerte, de ser perfeito. Para este blog desejo, apenas... que encontre o seu próprio rumo. E já não é tarefa fácil de concretizar :).

Pontas soltas II


Há sempre a tendência de comparar coisas sublimes, que fogem ao no
sso entendimento, com Deus. E é uma tendência sábia, porque se baseia no reconhecimento de que Deus nos escapa - porque transborda - dos nossos limites. Mas por ser tão Grande é impossível de o entendermos racionalmente. E exactamente por ser tão Grande está em tudo, e dessa forma a razão não se basta para o entendermos. A razão é um meio de nos abrirmos a Deus. Mas o caminho para ele é sempre a emoção. O que a razão pode fazer - e com mestria - é depurar a emoção, para que ela se centre no Essencial. Porque é aí, no Essencial, que Deus está. Ou, por outra, porque Deus é o Essencial.

Pontas Soltas I

A Sinfonia: só conseguimos cantar uma das vozes de cada vez, mas podemos sempre escutá-la toda se fizermos silêncio. E mais engraçado que isto: qualquer pessoa consegue ouvir uma sinfonia e apreciá-la devidamente.
A sinfonia é um conjunto de várias partes, sim, e isso é importante. Mas mais importante é o facto de a sua beleza ser, em maior ou menos extensão, acessível a qualquer pessoa. Mesmo que ela não saiba sequer que o conceito de Música existe. Ou que em vez de lhe chamar Música lhe chame outra coisa qualquer.

Evidências

O bom é inimigo do óptimo. E de tanto me concentrar no óptimo acabei por me esquecer do possível.

terça-feira, janeiro 15, 2008


Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.

Nuno Júdice