terça-feira, dezembro 11, 2007

terça-feira, novembro 20, 2007

Carta (Esboço)

Lembro-me agora que tenho que marcar um
encontro contigo, num sítio em que ambos
nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma
das ocorrências da vida venha
interferir no que temos para nos dizer. Muitas
vezes me lembrei de que esse sitio podia
ser, até, um lugar sem nada de especial,
como um canto de café, em frente de um espelho
que poderia servir de pretexto
para reflectir a alma, a impressão da tarde,
o último estertor do dia antes de nos despedirmos,
quando é preciso encontrar uma fórmula que
disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer.
É que o amor nem sempre é uma palavra de uso,
aquela que permite a passagem à comunicação
mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale,
de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós
leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio
ser, como se uma troca de almas fosse possível
neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e
me peças: “Vem comigo!”, e devo dizer-te que muitas
vezes pensei isso mesmo, mas era tarde,
isto é, a porta tinha-se fechado até outro
dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então
as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem
sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar
um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos
para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que
é também a mais absurda, de um sentimento; e, por
trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia
seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores
do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos
encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que
o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí
que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,
que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo
das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.

Nuno Júdice

sábado, outubro 06, 2007

Lindo.

sábado, maio 26, 2007

Entre cá e lá


Se o vendaval se fizesse brisa
E deixasse ouvir
A vida a nascer

Se a montanha
Se tornasse meta Alcançada

Se a tempestade deixar sentir
O cheiro da terra molhada
A vida vai acontecer

Quando a guerra for pacificada
E a porta de saída
Servir como uma entrada

Quando a noite
Deixar as estrelas passar

Quando o rio
Finalmente se entrega ao mar
A vida vai acontecer

Se trocarmos as voltas
Do Ter para o Ser

Se deixarmos
Os olhos falarem à alma
Nem sempre o fogo se acalma
Mas a vida vai acontecer

Clara Almeida Santos

terça-feira, maio 01, 2007


(Às vezes esqueço-me que)



Há muitas mais formas de comunicar para além das palavras.