Não posso deixar de me maravilhar com a beleza de uma obra de arte. Assim como não posso deixar de associar a beleza a tempo. Tempo gasto, tempo dispendido, tempo para trabalhar em algo até tomar forma, tempo para perceber que sentido dar às coisas.
As relações parecem-se muito com obras de arte: belas, irreverentes e imprevisíveis, desenrolam-se nos meandros de cada personalidade envolvida e são espelho de expectativas, desejos e formas de vida de quem as empreende. E levam tempo a ser construídas.
Curioso como ninguém questiona o tempo que é necessário para se criar uma obra de arte. Tal como ninguém questiona a sua imprevisibilidade. Mais curioso ainda: quanto mais original, destemida e arrojada é uma obra de arte, quanto menos estiver sujeita a convenções e trouxer novidade, mais atenção e apreço capta por parte dos seus apreciadores.
Agora pergunto-me: porque não é também assim com as relações? Porque é que tem de ser sempre tudo inscrito nos mesmos códigos, nas mesmas condutas? Porque é que se espera que todo o sentido de uma relação surja num primeiro olhar, numa primeira conversa? Porque é que se insiste em afirmar que todo o rumo de uma relação se vê numa primeira impressão? E porque é que se baseia tudo em actos irreflectidos e precipitados?
Agora pergunto-me: porque não é também assim com as relações? Porque é que tem de ser sempre tudo inscrito nos mesmos códigos, nas mesmas condutas? Porque é que se espera que todo o sentido de uma relação surja num primeiro olhar, numa primeira conversa? Porque é que se insiste em afirmar que todo o rumo de uma relação se vê numa primeira impressão? E porque é que se baseia tudo em actos irreflectidos e precipitados?
Não há quem olhe para uma obra de arte e não se maravilhe com a minúcia de cada pormenor, a perfeição de cada traço. Não há quem não saboreie cada sentimento, cada ideia, cada pedaço de alma que é espelhado em cada gesto. E não acredito que haja quem pense que aquele pedaço de genialidade foi feito numa semana ou num mês.
Saber esperar é, mais do que uma virtude, um sinal de sabedoria. Saber esperar, mais do que ficar na expectativa dos meus desejos, é trabalhar com atenção e amor, dando espaço à criação para tomar o seu próprio rumo.
(Escultura: 'Psiquê e Cupido', de Canova)
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3 comentários:
Adorei!Atençao, calma e sabedoria...palavras mto importantes na construção d qualquer relação..seja ela de que tipo for..acima de tudo mta calma..O segredo pa viver em paz com tds consiste na arte de compreender cada um segundo a sua individualidade...
Como sempre a senhora consegue pôr por palavras algo que me vai na cabecinha.. concordo plenamente consigo. De momento faltam-me os vocábulos certos para corresponder ao rigor do seu exímio texto mas devo dizer que você está lá. Mai nada!
saber ver, ver para além dos preconceitos inevitáveis que s seguem a um primeiro contacto é um enorme sinal sabedoria e grandeza...
beijinhos :)
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