quarta-feira, abril 22, 2009


Um ser amado que desilude.

Escrevi-lhe.

É impossível que não me responda

aquilo que eu me disse a mim mesma

em seu nome.

Os homens devem-nos

o que imaginamos que nos vão dar.

Pagar-lhes esta dívida.

Aceitar que sejam diferentes

das criaturas da nossa imaginação

é imitar a renúncia de Deus.

Também eu sou diferente

daquilo que imagino ser.

Saber isto

é perdoar.

Simone Weil

Difícil, isto...

2 comentários:

Francisco Tavares disse...

A questão são as expectativas que pomos nas coisas, e nas pessoas...
Não me entendas mal, ter expectativas é bom, mas antes de criar expectativas preciso primeiro de conhecer bem, e depois sim, posso induzir algo sobre o futuro tendo em conta que existe uma coerência de fundo em tudo...
Aqui reside o primeiro problema, porque nas coisas isto pode ser ou apenas verdade ou apenas mentira (o aceitar que há uma ordem natural, o partir desta premissa).
Mas nas pessoas isso não funciona assim, porque se há algo que a maior parte (diria praí 98% da população mundial) aceita como dado adquirido, como verdade indiscutível (nem que seja pela experiência de todos estes 98% ao longo destes milhares de anos em que existem pessoas no mundo), é que no centro do ser humano está o livre-arbítrio.
Assim, as pessoas têm a possibilidade de não viverem essa coerência, porque o podem escolher.
E então, sim, desiludem, mesmo quando as expectativas são "lógicas", seja qual for a lógica utilizada, porque nós conseguimos frustrar qualquer uma...

Agora, lá está, se isto for o centro da minha vida e das minhas relações, então óbvio que vai dar bronca mais tarde ou mais cedo!
Então, pôr o perdão (que é o mesmo que dizer o Amor) no centro, de certeza que dá melhores resultados...=)

Beijos, minha cara vice-presidente.

Kiya disse...

Meu caríssimo e honrado El President:

A juntar a tudo o que disseste eu juntaria a verdade incontornável de que cada ser humano é um mundo insondável. Ora, cada ser humano com o qual me relaciono posso eu apenas lê-lo à luz do que conheço de mim e de com quem me fui relacionando, e à luz tb da minha capacidade, maior ou menor, de apreender a diferença e os contornos de cada coisa. Ou seja, o que eu vejo é sempre de alguma forma algo que eu construio. Por isso creio que as relações, bem vividas, são uma busca constante do que a outra pessoa é na verdade, mais longe do que eu imaginei para ela e mais perto do que Deus imaginou para mim e para ela. Só se vai lá com muito Amor, como tu bem disseste (muito Deus? :) )... eu diria que só se vai lá se o centro for a minha vontade de conhecer mesmo a outra pessoa como ela é e aceitá-la e disfrutá-la e encontrar-lhe a beleza nas nuances que são só dela.

Mas, e eu sinto-o algumas muitas vezes, é demasiado fácil perder a fé nas pessoas quando algo se nos assemelha feio e desprovido de Deus... acho que perdoar não passa por ignorar ou tolerar um 'defeito', mas - e isso sim, eu acho mesmo difícil - abraçá-lo, vê-lo como um "ainda a existir", um "a caminho"... e vais dizer-me que isso não é às vezes extraordinariamente difícil de aceitar? Aprender a construir caminho a partir de coisas imperfeitas, com as coisas imperfeitas, de braço dado com a imperfeição?

Venha todo o Amor e mais algum e venha a Graça de eu perceber todos os dias no íntimo do meu coração que sozinha não consigo...

x) Beijinho