sábado, janeiro 26, 2008

Lugares comuns com piada


Lugares comuns


O Beijo
Óleo sobre tela de Gustav Klimt

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Alguém sábio qb ;) disse uma vez que o template de um blog influencia aquilo que se escreve nele: se o template é branco, limpo, como uma folha de papel imaculada, as expectativas que ponho naquilo que escrevo serão maiores, por receio de os textos não serem suficientemente bons para aquele pedaço magnífico de papel. Porém, se tiver à minha frente uma simples folha de rascunho, a minha escrita fluirá livremente, uma vez que no final posso simplesmente amarrotá-la e deitá-la para o lixo se não gostar do que escrevi.
Creio que o meu antigo template era uma folha de papel muito caro. E os textos que nele escrevia eram trabalhados até me parecerem "ficar bem na moldura". E houve uma altura em que nada do que escrevia me parecia suficientemente bom para ser publicado. No entretanto fui dar um passeio, olhei para a paisagem, caminhei e respirei fundo e quando voltei surgiu esta nova forma do meu velho blog: o mesmo blog, só que sem a aspiração, inútil, porque inerte, de ser perfeito. Para este blog desejo, apenas... que encontre o seu próprio rumo. E já não é tarefa fácil de concretizar :).

Pontas soltas II


Há sempre a tendência de comparar coisas sublimes, que fogem ao no
sso entendimento, com Deus. E é uma tendência sábia, porque se baseia no reconhecimento de que Deus nos escapa - porque transborda - dos nossos limites. Mas por ser tão Grande é impossível de o entendermos racionalmente. E exactamente por ser tão Grande está em tudo, e dessa forma a razão não se basta para o entendermos. A razão é um meio de nos abrirmos a Deus. Mas o caminho para ele é sempre a emoção. O que a razão pode fazer - e com mestria - é depurar a emoção, para que ela se centre no Essencial. Porque é aí, no Essencial, que Deus está. Ou, por outra, porque Deus é o Essencial.

Pontas Soltas I

A Sinfonia: só conseguimos cantar uma das vozes de cada vez, mas podemos sempre escutá-la toda se fizermos silêncio. E mais engraçado que isto: qualquer pessoa consegue ouvir uma sinfonia e apreciá-la devidamente.
A sinfonia é um conjunto de várias partes, sim, e isso é importante. Mas mais importante é o facto de a sua beleza ser, em maior ou menos extensão, acessível a qualquer pessoa. Mesmo que ela não saiba sequer que o conceito de Música existe. Ou que em vez de lhe chamar Música lhe chame outra coisa qualquer.

Evidências

O bom é inimigo do óptimo. E de tanto me concentrar no óptimo acabei por me esquecer do possível.

terça-feira, janeiro 15, 2008


Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.

Nuno Júdice

terça-feira, dezembro 11, 2007

terça-feira, novembro 20, 2007

Carta (Esboço)

Lembro-me agora que tenho que marcar um
encontro contigo, num sítio em que ambos
nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma
das ocorrências da vida venha
interferir no que temos para nos dizer. Muitas
vezes me lembrei de que esse sitio podia
ser, até, um lugar sem nada de especial,
como um canto de café, em frente de um espelho
que poderia servir de pretexto
para reflectir a alma, a impressão da tarde,
o último estertor do dia antes de nos despedirmos,
quando é preciso encontrar uma fórmula que
disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer.
É que o amor nem sempre é uma palavra de uso,
aquela que permite a passagem à comunicação
mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale,
de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós
leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio
ser, como se uma troca de almas fosse possível
neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e
me peças: “Vem comigo!”, e devo dizer-te que muitas
vezes pensei isso mesmo, mas era tarde,
isto é, a porta tinha-se fechado até outro
dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então
as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem
sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar
um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos
para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que
é também a mais absurda, de um sentimento; e, por
trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia
seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores
do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos
encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que
o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí
que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,
que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo
das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.

Nuno Júdice

sábado, outubro 06, 2007

Lindo.

sábado, maio 26, 2007

Entre cá e lá


Se o vendaval se fizesse brisa
E deixasse ouvir
A vida a nascer

Se a montanha
Se tornasse meta Alcançada

Se a tempestade deixar sentir
O cheiro da terra molhada
A vida vai acontecer

Quando a guerra for pacificada
E a porta de saída
Servir como uma entrada

Quando a noite
Deixar as estrelas passar

Quando o rio
Finalmente se entrega ao mar
A vida vai acontecer

Se trocarmos as voltas
Do Ter para o Ser

Se deixarmos
Os olhos falarem à alma
Nem sempre o fogo se acalma
Mas a vida vai acontecer

Clara Almeida Santos

terça-feira, maio 01, 2007


(Às vezes esqueço-me que)



Há muitas mais formas de comunicar para além das palavras.


segunda-feira, dezembro 25, 2006



E há tempos em que não apetece falar, nem escrever, nem pensar. E tempos em que sabe bem rir para o mundo todo como se não houvesse amanhã, e tempos em que sabe bem estar sisuda, meditativa, séria, pensativa. E tempos em que estudo, e tempos em que me perco em devaneios... E sempre tu, em todos estes tempos. E às vezes apetece abraçar-te e falar a tarde toda sobre coisas sem nexo. E contar-te sobre os disparates do meu dia, e sussurrar-te a beleza de um rapaz que me passou pelo caminho. E outras vezes dou comigo a falar-te com um brilho nos olhos da paixão que sinto pelas pessoas que me rodeiam. E do meu gosto por pãezinhos com atum, por cappuccinos com sabor a canela e boas conversas. E daquele rapaz que não me sai da cabeça. E maravilho-me com esta amizade estranha, que fala de um Amor que não é amor, de um Amor maior que tu e eu, maior que tudo isto que falo, de tudo isto que hoje é e amanhã talvez não seja, mas que importa?...
E não sei bem como dizer-te como tudo isto é valioso, como é bom este conforto quentinho das nossas conversas, este Amor-amizade que me embala quando cedo ao apetite de ser frágil e vulnerável. E apesar de por vezes te olhar e sentir que sabes tudo isto (sabes?...), queria deixar este texto para ti.

Para tantos amigos.

sexta-feira, novembro 10, 2006



O mundo está cheio de surpresas que nos põem a caminho. Como aquela criança que olhava fascinada para o pai. Este dizia-lhe: "Vês aquela coisa grande, ali, alta, é uma árvore. E aqui - enterrava uma sementinha - vai nascer uma como aquela." A criança abria a boca de espanto e sorria. Acreditou. Não é que tivesse lógica, mas era o pai que dizia.


Vasco Pinto de Magalhães, s. j.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Arte

(Art by Quino)

quarta-feira, julho 05, 2006

Notícias (Sur)reais


Da National Geographic de Julho de 2006:

"Estima-se que mais de um quarto dos acidentes rodoviários da Namíbia envolvam colisões com burros, uma vez que é frequente os animais de pêlo escuro domirem à noite no pavimento quente. Para evitar os acidentes, o grupo Bem-Estar dos Burros está a trabalhar com o governo para equipar os burros com reflectores nas orelhas. Até à data, a organização ambientalista já marcou cerca de cinco centenas de animais."

É caso para dizer: "cada burro, sua mania"...

segunda-feira, junho 26, 2006

segunda-feira, junho 12, 2006

Flashs



Quem me dera poder recordar todos

os sorrisos,

todas as expressões,

toda a riqueza e profundidade
dos olhares.

Há tanto de insondável em cada pessoa, tanto que me escapa nos passeios distraídos de conversas amenas... fracções de segundo que escrevem poesia nas entrelinhas, infinitésimos de extraordinária beleza, sabores e aromas que parece que me escapam por entre as fibras nervosas de um qualquer lobo cerebral...


Flashs

de memória.


sábado, junho 10, 2006

GPS - Guia de Pequenas Sensações

Este texto foi escrito para a edição de Março do jornal do Centro Universitário Manuel da Nóbrega (CUMN), o CUMNicação. O cantinho em que foi escrito chama-se "GPS - Guia de Pequenas Sensações" - que utilizei também como título deste post. Enquanto aguardo algum tempo para escrever algo mais recente, aqui fica um momento de introspecção num desses cantinhos perdidos no meio da cidade.


Sentada no mármore branco, olho o horizonte que entardece. A luz vai desaparecendo lá ao longe em borrões alaranjados, mas aqui o mármore branco ri do escuro que o ameaça. O frio começa a cristalizar nos socalcos de relva verde, e os meus olhos sobem cada degrau novamente como que incitando o corpo ao movimento. Levanto-me enfim e o meu pensamento volta a cair sobre o Palácio que encima este jardim tão silencioso e austero. Respiro fundo o ar - de tão frio quase parece puro - e movo-me em busca de uma paisagem encoberta, que ao fim de três lanços de escadas alcanço. A beleza do contraste entre a baixa de Coimbra e a alta da cidade provocam-me uma sensação de alma de artista aprisionada… quem disse que a poesia estava ao alcance de todos?

Um suspiro de resignação devolve-me ao local, agora já com algumas sombras a indicar que se faz tarde… pena que o tempo não esteja à nossa mercê. Com um sorriso despeço-me dos socalcos mudos, naquela serenidade carinhosa de quem sabe que há-de voltar.

Jardim da Cerca de S. Bernardo, Pátio da Inquisição.
Coimbra, 15 de Novembro de 2005