sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Agradecer


Pelas mãos sujas da terra do campo. Pelas mesmas histórias contadas todos as ceias de Natal, que eu ouvia sempre com o mesmo gosto risonho. Por aquela simplicidade das pessoas do campo. Por aquela teimosia encrustrada de quem já viveu muito e acha que já sabe tudo acerca de quase tudo. Por aqueles raciocínios lineares que me faziam sorrir de condescendência. Pela tagarelice ao telefone quando já tinha bebido um tudo nada demais. Pelas roupas negras desde a morte da minha avó. Pela boina de estimação que empurrava para trás com a mão quase espantosamente grossa para coçar a testa. Pela teimosia arreigada que o fazia trabalhar de sol a sol e subir a muros e árvores com 80 anos. Pelos cabelos pretos até aos 70. Pelo olhar quase carinhosamente preocupado quando um dia eu vim para casa triste. Pelo 'tá bem, tá bem' calmo e matreiro quando eu lhe mandava comer tudo o que lhe punha no tabuleiro. Pela cara marcada de rugas de esforço na tentativa de que não se visse nem um bocadinho do orgulho imenso que ele sentia por mim.


E por todas as coisas que recordo do meu avô, que faz algures por agora um ano que morreu.

Hoje fui a uma missa pela memória do avô de um amigo, que morreu há um ano. Enquanto o Padre falava de momentos da vida deste senhor que eu não conheci, e o riso ou as lágrimas (ou ambos) de algumas pessoas (me) falavam de recordações pessoais e de carinho, eu lembrei-me de uma vez ter ouvido alguém dizer que nos funerais só se fala bem das pessoas que morreram, como se de repente as pessoas se esquecessem das discussões, das faltas de respeito, das faltas de amor e de todas as coisas más que existiam na relação. E ao lembrar-me disso dei por mim a sorrir, porque 're-parei': face à morte, à perda, à ausência, há um conjunto de coisas que simplesmente perdem a importância.


Então hoje eu quis ser capaz de deixar morrer em mim algumas das pessoas da minha vida, para que os pormenores delas que me enervam e as coisas que me magoam deixem de significar tanto e eu olhe só para o que delas me faz sorrir com ternura.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009


"Growing up is not about making the right decisions, but about living with the decisions you make."


... ouvi isto numa série de televisão: não parece pouco?

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Anat III


... afinal fui capaz. Quem diria?

sábado, janeiro 31, 2009

E eis senão quando, com incrível mestria, a rapariga do delay patológico de anatomia derrota o temível modelo fatiado e ganha a possibilidade de um combate face a face com o implacável monstro do monocílio...

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Mamma mia...



Here i go again.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

O gatinho de três semanas


Ai, num posso não, tem um gatão que está em casa mi isperando... :)

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Fiz uma passagem de anos com amigos da Faculdade.
Criei um gatinho de três semanas.
Arranjei coragem para dizer a um rapaz que estava apaixonada por ele.
Afastei-me de sítios que eram importantes para mim.
Aproximei-me de sítios que se tornaram importantes para mim.
Vi um milagre genético acontecer.
Afastei-me de algumas pessoas.
Fiz novas amizades e reencontrei amizades antigas.
Estudei mais. Esforcei-me mais.
Tive 15 a duas cadeiras de jeito.
Tive um 16 num teste.
Saí à noite e dancei até não poder mais.
Voltei a sair à noite e dancei até não poder mais.
Senti o absurdo da perda na morte.
Apaixonei-me. Namorei. Acabei.
Estudei Teologia durante uma semana.
Chateei-me à séria com um grande amigo.
Fiz os meus segundos Exercícios Espirituais em cinco anos.
Voltei a apaixonar-me.

... Tudo isto em 365 dias. Fascinante... :)

A Um Novo Ano para crescer.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Então aqui vai uma coisa que tenho andado a pensar...

Aqui há um ano ou dois anos existia no CUMN um rapaz que, tal como eu na altura, passava muito tempo por lá. Ora, a natureza grupal e faladora da pessoa humana não simpatizava com este jovem: dizia-o beato, triste, incrivelmente só e isolado. E eu, como tantas outras pessoas, não me aproximava muito dele. Entretanto o tempo passou e este menino tornou-se uma pessoa alegre e bem-disposta, e o mundo passou a sentir-se incrivelmente atraído por ele. E a natureza faladora deixou de o chamar triste e só (o beato ficou) e passou a falar dele como alegre e passou a querer estar com ele. E eu também. E com a descrição que fiz poderia estar a falar de duas pessoas diferentes, mas não: há dois anos era e agora é exactamente o mesmo rapaz. E à medida que nestes dias eu observava esta evidência, surgiu-me a pergunta:

Quantas pessoas maravilhosas ando eu a perder por me deixar levar pelo espírito de carneirada que só acolhe as pessoas que dão ar de estar bem consigo próprias?

Companheiro de partilhas procura-se

Apesar de este blog ter nascido a partir de mim para o mundo (é, vocês, queridos meia dúzia optimista de leitores, são o mundo para mim? :D), sinto já há muito a falta desse colorido maravilhoso que é ter outra pessoa amiga a escrever e a partilhar comigo. Por isso, está aberto o convite a quem quiser fazer parte deste blog ou quiser criar um novo comigo! Alguém se atreve? :)

Estou de volta!!! Parece que afinal ainda ficou qualquer coisita por partilhar... x)

quarta-feira, outubro 08, 2008

sexta-feira, maio 09, 2008

E quantas vezes deixo eu de reconhecer as coisas novas que estão mesmo à frente do meu nariz só porque estou alheada na minha convicção de que já as conheço?

domingo, abril 27, 2008

sexta-feira, abril 25, 2008

Valor, contexto e arte

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Um sujeito entra na estação do metro, vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, na hora de ponta matinal. Durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos traunseuntes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares. A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro,copo de café na mão, telemóvel no ouvido, crachá a balançar no pescoço,indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor,contexto e arte. A conclusão: estamos habituados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de marca.

terça-feira, abril 22, 2008

Deambulações


"Se no decorrer da vida só conhecemos uma pequena parte de nós próprios, para onde vai todo o resto?"

in Contos de Hoffman

terça-feira, março 18, 2008

Não há pior angústia do que olhar-se impotente face ao sofrimento de outra pessoa.