"Se o sofrimento constitui, sobretudo, uma questão moral, então a primeira tarefa de quem cuida consiste em reconhecer o sofrimento alheio. Esta é uma acção ética básica, na relação com o próximo. Cuidar da pessoa doente corresponde a uma prática moral, a um testemunho de empatia, responsabilidade e solidariedade. Medicina não é ciência, apenas. É também prática humanista, capacidade interpretativa, uma inteligência que previne e trata. Os médicos têm que agir. E têm que fazer o melhor possível, mesmo quando não sabem tudo.
Aquilo que é realmente importante, nas nossas vidas, na nossa humanidade, são as qualidades pessoais de respeito e compaixão, na relação com o outro, com todos os outros. É viver eticamente, é olhar para o mundo à luz de uma perspectiva mais ampla e agir segundo esta perspectiva. O compromisso ético e os nossos esforços para melhorar o mundo constituem, neste percurso, as marcas morais da decência e da nobreza.
É verdade que não nascemos completamente humanos. A nossa humanidade constrói-se à medida que nos educamos a nós próprios e na medida em que cultivamos as relações com os outros. Se é igualmente verdade que devemos fazer um esforço ético, todos os dias, para sermos pessoas cada vez mais íntegras, mais humanas, então faço votos para que a vossa relação com os doentes, no futuro, vos torne também melhores pessoas e melhores médicos, à custa do vosso empenho, autêntico e generoso, com a nobre intenção de humanizar o mundo.
Oxalá possam percorrer o caminho com sucesso. E que depois, muitos anos depois, regressem reconhecidos a este vosso livrinho de memórias felizes, achando que valeu a pena a caminhada.
Carpe Diem!"
Manuel João Quartilho
Coimbra, 29 de Março de 2009








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