terça-feira, janeiro 05, 2010


If you love something set it free; if it comes back it is yours, if it doesn't it never was.


quarta-feira, dezembro 30, 2009

Florence and The Machine - Rabbit Heart (Raise It Up)



Estou viciada na música desta senhora, tem uma energia contagiante... :)

Desabafo


Química. A ilusão de uma comunhão perfeita que grita meia verdade às minhas emoções sedentas de bulício. Tanto tempo e tanta aprendizagem, para nada: parece que as minhas entranhas são surdas e cegas ao caminhar compassado e coerente do tempo. Foi como se, num riscar de fósforo, me tivessem sugado para uma realidade paralela e me tivessem voltado a cuspir de volta. Tudo igual excepto eu ser agora outra que não me reconheço no meio do mundo que parece que não muda. Preenchida pelo vazio palpável desta sensação gelada de desenquadramento, mais oca que um poço que sentiu a água a transbordar e agora fica ali, parado e inerte, a ouvir impotente o eco das pedras a baterem no fundo vazio.

... Eu percebo que as químicas são atracções irracionais e que resistem tão mal ao tempo como estátua de areia em dia de vento. Sim, eu percebo isso. Mas hoje, só por hoje, quero dizer simplesmente que não o sinto.

terça-feira, outubro 13, 2009

Staring at

Andam a passar-se tantas coisas na minha vida que ainda não percebi se não tenho palavras para as (d)escrever ou se as palavras são tantas que nem sei por onde começar. Na esperança de que esta indecisão se resolva em breve e em breve haja aqui mais do que um desabafo, fica aqui este Cafe Terrace (de Van Gogh) - legando-lhe a tarefa de hoje, mais do que falar de mim, falar por mim.


terça-feira, setembro 01, 2009

De volta... :)

"Se tanto me dói que as coisas passem,
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem".

Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, julho 08, 2009


Dei com esta imagem por acaso... creio bem que se algumas disciplinas tivessem cara não seria muito diferente desta, lol.

A meio da época de exames

A época de exames é uma época complicada e engraçada ao mesmo tempo. Não sei como é que é nas outras cidades, mas aqui em Coimbra formam-se núcleos absolutamente ecléticos e suis generis compostos por estudantes dos mais variados estilos e feitios que praticamente se alojam em qualquer local da cidade (que, a bem dizer, não são muitos) que permita um horário de estudo compatível com o projecto de marranço megalómano do verdadeiro aluno enrascado. É entrar na BG (AKA Biblioteca Geral) e inspirar, ainda que timidamente, que vem logo uma golfada de seriedade que motiva até os mais relaxados, juntamente com uma dose de solidariedade e um par de olhares cúmplices que aquecem a alma e dão o último empurrão para, senão por mãos à obra, pelo menos por olhos à sebenta.

Deixando de parte o relato pitoresco, que não é bem a minha área de conforto, há outras particularidades da época de exames que me chamam imenso a atenção. Alguém uma vez disse que a época de exames era uma época de estudo, e que estudar significava "conhecer-se a si próprio". Quanto mais penso nisto, mais acho que ele tem razão: ao estudar conheço a minha reacção à pressão, as expectativas que tenho sobre mim e sobre o rumo que quero tomar, saltam à tona as dúvidas, vem ao de cima o mau feitio, a irritação, a angústia, a frustração, também o contentamento, desaparecem antigas inquietações e reaparecem novas questões, enfim, um sem número de dados que no resto do ano não estavam tão presentes ou no meio do bulício e da correria não tinham espaço para se tornarem relevantes. E outras reflexões me têm surgido, mas vou por agora deixá-las fermentar.

Um sorriso cúmplice para os que também andam nestas labutas ;).

terça-feira, junho 16, 2009


Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria,
ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama

quinta-feira, abril 30, 2009

Her Morning Elegance / Oren Lavie

Um vídeo e uma música que fazem enternecer as pedras da calçada... com um agradecimento especial ao meu "amigo peregrinístico" e recente musical supplier de muito bom gosto :)

quarta-feira, abril 22, 2009


Um ser amado que desilude.

Escrevi-lhe.

É impossível que não me responda

aquilo que eu me disse a mim mesma

em seu nome.

Os homens devem-nos

o que imaginamos que nos vão dar.

Pagar-lhes esta dívida.

Aceitar que sejam diferentes

das criaturas da nossa imaginação

é imitar a renúncia de Deus.

Também eu sou diferente

daquilo que imagino ser.

Saber isto

é perdoar.

Simone Weil

Difícil, isto...

terça-feira, março 31, 2009

Eles andam aí... :)

Muitos textos já foram escritos sobre as pessoas que passam pelas nossas vidas e nos marcam. Este post hoje não é sobre uma pessoa que me marcou, mas sim uma pessoa que me fez sentir, ao ler a dedicatória que escreveu para o carro para o cortejo da Queima das Fitas da minha Turma, que se existe um adulto que vê a vida deste modo, então tudo aquilo em que acredito vale de facto a pena e tem futuro. Deixo aqui o texto escrito pelo meu Assistente de Psiquiatria, Manuel João Quartilho, que diz mais do que o que eu conseguiria dizer por ele.

"Se o sofrimento constitui, sobretudo, uma questão moral, então a primeira tarefa de quem cuida consiste em reconhecer o sofrimento alheio. Esta é uma acção ética básica, na relação com o próximo. Cuidar da pessoa doente corresponde a uma prática moral, a um testemunho de empatia, responsabilidade e solidariedade. Medicina não é ciência, apenas. É também prática humanista, capacidade interpretativa, uma inteligência que previne e trata. Os médicos têm que agir. E têm que fazer o melhor possível, mesmo quando não sabem tudo.

Aquilo que é realmente importante, nas nossas vidas, na nossa humanidade, são as qualidades pessoais de respeito e compaixão, na relação com o outro, com todos os outros. É viver eticamente, é olhar para o mundo à luz de uma perspectiva mais ampla e agir segundo esta perspectiva. O compromisso ético e os nossos esforços para melhorar o mundo constituem, neste percurso, as marcas morais da decência e da nobreza.

É verdade que não nascemos completamente humanos. A nossa humanidade constrói-se à medida que nos educamos a nós próprios e na medida em que cultivamos as relações com os outros. Se é igualmente verdade que devemos fazer um esforço ético, todos os dias, para sermos pessoas cada vez mais íntegras, mais humanas, então faço votos para que a vossa relação com os doentes, no futuro, vos torne também melhores pessoas e melhores médicos, à custa do vosso empenho, autêntico e generoso, com a nobre intenção de humanizar o mundo.

Oxalá possam percorrer o caminho com sucesso. E que depois, muitos anos depois, regressem reconhecidos a este vosso livrinho de memórias felizes, achando que valeu a pena a caminhada.

Carpe Diem!"

Manuel João Quartilho

Coimbra, 29 de Março de 2009

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Agradecer


Pelas mãos sujas da terra do campo. Pelas mesmas histórias contadas todos as ceias de Natal, que eu ouvia sempre com o mesmo gosto risonho. Por aquela simplicidade das pessoas do campo. Por aquela teimosia encrustrada de quem já viveu muito e acha que já sabe tudo acerca de quase tudo. Por aqueles raciocínios lineares que me faziam sorrir de condescendência. Pela tagarelice ao telefone quando já tinha bebido um tudo nada demais. Pelas roupas negras desde a morte da minha avó. Pela boina de estimação que empurrava para trás com a mão quase espantosamente grossa para coçar a testa. Pela teimosia arreigada que o fazia trabalhar de sol a sol e subir a muros e árvores com 80 anos. Pelos cabelos pretos até aos 70. Pelo olhar quase carinhosamente preocupado quando um dia eu vim para casa triste. Pelo 'tá bem, tá bem' calmo e matreiro quando eu lhe mandava comer tudo o que lhe punha no tabuleiro. Pela cara marcada de rugas de esforço na tentativa de que não se visse nem um bocadinho do orgulho imenso que ele sentia por mim.


E por todas as coisas que recordo do meu avô, que faz algures por agora um ano que morreu.

Hoje fui a uma missa pela memória do avô de um amigo, que morreu há um ano. Enquanto o Padre falava de momentos da vida deste senhor que eu não conheci, e o riso ou as lágrimas (ou ambos) de algumas pessoas (me) falavam de recordações pessoais e de carinho, eu lembrei-me de uma vez ter ouvido alguém dizer que nos funerais só se fala bem das pessoas que morreram, como se de repente as pessoas se esquecessem das discussões, das faltas de respeito, das faltas de amor e de todas as coisas más que existiam na relação. E ao lembrar-me disso dei por mim a sorrir, porque 're-parei': face à morte, à perda, à ausência, há um conjunto de coisas que simplesmente perdem a importância.


Então hoje eu quis ser capaz de deixar morrer em mim algumas das pessoas da minha vida, para que os pormenores delas que me enervam e as coisas que me magoam deixem de significar tanto e eu olhe só para o que delas me faz sorrir com ternura.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009


"Growing up is not about making the right decisions, but about living with the decisions you make."


... ouvi isto numa série de televisão: não parece pouco?

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Anat III


... afinal fui capaz. Quem diria?

sábado, janeiro 31, 2009

E eis senão quando, com incrível mestria, a rapariga do delay patológico de anatomia derrota o temível modelo fatiado e ganha a possibilidade de um combate face a face com o implacável monstro do monocílio...

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Mamma mia...



Here i go again.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

O gatinho de três semanas


Ai, num posso não, tem um gatão que está em casa mi isperando... :)

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Fiz uma passagem de anos com amigos da Faculdade.
Criei um gatinho de três semanas.
Arranjei coragem para dizer a um rapaz que estava apaixonada por ele.
Afastei-me de sítios que eram importantes para mim.
Aproximei-me de sítios que se tornaram importantes para mim.
Vi um milagre genético acontecer.
Afastei-me de algumas pessoas.
Fiz novas amizades e reencontrei amizades antigas.
Estudei mais. Esforcei-me mais.
Tive 15 a duas cadeiras de jeito.
Tive um 16 num teste.
Saí à noite e dancei até não poder mais.
Voltei a sair à noite e dancei até não poder mais.
Senti o absurdo da perda na morte.
Apaixonei-me. Namorei. Acabei.
Estudei Teologia durante uma semana.
Chateei-me à séria com um grande amigo.
Fiz os meus segundos Exercícios Espirituais em cinco anos.
Voltei a apaixonar-me.

... Tudo isto em 365 dias. Fascinante... :)

A Um Novo Ano para crescer.