
quarta-feira, julho 08, 2009
A meio da época de exames
Deixando de parte o relato pitoresco, que não é bem a minha área de conforto, há outras particularidades da época de exames que me chamam imenso a atenção. Alguém uma vez disse que a época de exames era uma época de estudo, e que estudar significava "conhecer-se a si próprio". Quanto mais penso nisto, mais acho que ele tem razão: ao estudar conheço a minha reacção à pressão, as expectativas que tenho sobre mim e sobre o rumo que quero tomar, saltam à tona as dúvidas, vem ao de cima o mau feitio, a irritação, a angústia, a frustração, também o contentamento, desaparecem antigas inquietações e reaparecem novas questões, enfim, um sem número de dados que no resto do ano não estavam tão presentes ou no meio do bulício e da correria não tinham espaço para se tornarem relevantes. E outras reflexões me têm surgido, mas vou por agora deixá-las fermentar.
terça-feira, junho 16, 2009
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria,
ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
quinta-feira, abril 30, 2009
Her Morning Elegance / Oren Lavie
Um vídeo e uma música que fazem enternecer as pedras da calçada... com um agradecimento especial ao meu "amigo peregrinístico" e recente musical supplier de muito bom gosto :)
quarta-feira, abril 22, 2009
Um ser amado que desilude.
Escrevi-lhe.
É impossível que não me responda
aquilo que eu me disse a mim mesma
em seu nome.
Os homens devem-nos
o que imaginamos que nos vão dar.
Pagar-lhes esta dívida.
Aceitar que sejam diferentes
das criaturas da nossa imaginação
é imitar a renúncia de Deus.
Também eu sou diferente
daquilo que imagino ser.
Saber isto
é perdoar.
Simone Weil
terça-feira, março 31, 2009
Eles andam aí... :)
"Se o sofrimento constitui, sobretudo, uma questão moral, então a primeira tarefa de quem cuida consiste em reconhecer o sofrimento alheio. Esta é uma acção ética básica, na relação com o próximo. Cuidar da pessoa doente corresponde a uma prática moral, a um testemunho de empatia, responsabilidade e solidariedade. Medicina não é ciência, apenas. É também prática humanista, capacidade interpretativa, uma inteligência que previne e trata. Os médicos têm que agir. E têm que fazer o melhor possível, mesmo quando não sabem tudo.
Aquilo que é realmente importante, nas nossas vidas, na nossa humanidade, são as qualidades pessoais de respeito e compaixão, na relação com o outro, com todos os outros. É viver eticamente, é olhar para o mundo à luz de uma perspectiva mais ampla e agir segundo esta perspectiva. O compromisso ético e os nossos esforços para melhorar o mundo constituem, neste percurso, as marcas morais da decência e da nobreza.
É verdade que não nascemos completamente humanos. A nossa humanidade constrói-se à medida que nos educamos a nós próprios e na medida em que cultivamos as relações com os outros. Se é igualmente verdade que devemos fazer um esforço ético, todos os dias, para sermos pessoas cada vez mais íntegras, mais humanas, então faço votos para que a vossa relação com os doentes, no futuro, vos torne também melhores pessoas e melhores médicos, à custa do vosso empenho, autêntico e generoso, com a nobre intenção de humanizar o mundo.
Oxalá possam percorrer o caminho com sucesso. E que depois, muitos anos depois, regressem reconhecidos a este vosso livrinho de memórias felizes, achando que valeu a pena a caminhada.
Carpe Diem!"
Manuel João Quartilho
Coimbra, 29 de Março de 2009
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Agradecer
Pelas mãos sujas da terra do campo. Pelas mesmas histórias contadas todos as ceias de Natal, que eu ouvia sempre com o mesmo gosto risonho. Por aquela simplicidade das pessoas do campo. Por aquela teimosia encrustrada de quem já viveu muito e acha que já sabe tudo acerca de quase tudo. Por aqueles raciocínios lineares que me faziam sorrir de condescendência. Pela tagarelice ao telefone quando já tinha bebido um tudo nada demais. Pelas roupas negras desde a morte da minha avó. Pela boina de estimação que empurrava para trás com a mão quase espantosamente grossa para coçar a testa. Pela teimosia arreigada que o fazia trabalhar de sol a sol e subir a muros e árvores com 80 anos. Pelos cabelos pretos até aos 70. Pelo olhar quase carinhosamente preocupado quando um dia eu vim para casa triste. Pelo 'tá bem, tá bem' calmo e matreiro quando eu lhe mandava comer tudo o que lhe punha no tabuleiro. Pela cara marcada de rugas de esforço na tentativa de que não se visse nem um bocadinho do orgulho imenso que ele sentia por mim.
E por todas as coisas que recordo do meu avô, que faz algures por agora um ano que morreu.
Hoje fui a uma missa pela memória do avô de um amigo, que morreu há um ano. Enquanto o Padre falava de momentos da vida deste senhor que eu não conheci, e o riso ou as lágrimas (ou ambos) de algumas pessoas (me) falavam de recordações pessoais e de carinho, eu lembrei-me de uma vez ter ouvido alguém dizer que nos funerais só se fala bem das pessoas que morreram, como se de repente as pessoas se esquecessem das discussões, das faltas de respeito, das faltas de amor e de todas as coisas más que existiam na relação. E ao lembrar-me disso dei por mim a sorrir, porque 're-parei': face à morte, à perda, à ausência, há um conjunto de coisas que simplesmente perdem a importância.
Então hoje eu quis ser capaz de deixar morrer em mim algumas das pessoas da minha vida, para que os pormenores delas que me enervam e as coisas que me magoam deixem de significar tanto e eu olhe só para o que delas me faz sorrir com ternura.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
sábado, janeiro 31, 2009
quinta-feira, janeiro 22, 2009
sexta-feira, janeiro 09, 2009
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Criei um gatinho de três semanas.
Arranjei coragem para dizer a um rapaz que estava apaixonada por ele.
Afastei-me de sítios que eram importantes para mim.
Aproximei-me de sítios que se tornaram importantes para mim.
Vi um milagre genético acontecer.
Afastei-me de algumas pessoas.
Fiz novas amizades e reencontrei amizades antigas.
Estudei mais. Esforcei-me mais.
Tive 15 a duas cadeiras de jeito.
Tive um 16 num teste.
Saí à noite e dancei até não poder mais.
Voltei a sair à noite e dancei até não poder mais.
Senti o absurdo da perda na morte.
Apaixonei-me. Namorei. Acabei.
Estudei Teologia durante uma semana.
Chateei-me à séria com um grande amigo.
Fiz os meus segundos Exercícios Espirituais em cinco anos.
Voltei a apaixonar-me.
terça-feira, dezembro 30, 2008
Aqui há um ano ou dois anos existia no CUMN um rapaz que, tal como eu na altura, passava muito tempo por lá. Ora, a natureza grupal e faladora da pessoa humana não simpatizava com este jovem: dizia-o beato, triste, incrivelmente só e isolado. E eu, como tantas outras pessoas, não me aproximava muito dele. Entretanto o tempo passou e este menino tornou-se uma pessoa alegre e bem-disposta, e o mundo passou a sentir-se incrivelmente atraído por ele. E a natureza faladora deixou de o chamar triste e só (o beato ficou) e passou a falar dele como alegre e passou a querer estar com ele. E eu também. E com a descrição que fiz poderia estar a falar de duas pessoas diferentes, mas não: há dois anos era e agora é exactamente o mesmo rapaz. E à medida que nestes dias eu observava esta evidência, surgiu-me a pergunta:
Quantas pessoas maravilhosas ando eu a perder por me deixar levar pelo espírito de carneirada que só acolhe as pessoas que dão ar de estar bem consigo próprias?




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